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Tabela de Honorários Arquitetura CAU: Como Calcular

Entenda a tabela de honorários do CAU e IAB, aprenda o cálculo CUB × percentual × área com exemplo prático e valores atualizados. Saiba quanto cobrar.

Braxio · 30 de jan de 2026 · 15 min de leitura

Tabela de Honorários Arquitetura CAU: Como Calcular

A pergunta que todo arquiteto já se fez

"Quanto eu deveria estar cobrando?" Se você já abriu uma planilha em branco tentando definir o valor de um projeto residencial e sentiu que estava chutando, saiba que existe uma referência técnica para isso. Ela se chama tabela de honorários do CAU/IAB, e é provavelmente a ferramenta de precificação mais citada e menos compreendida da arquitetura brasileira.

O problema não é que a tabela seja complexa. É que poucos profissionais aprendem a usá-la de verdade na faculdade, e na correria do escritório ela acaba sendo substituída por valores "de mercado" que ninguém sabe de onde vieram. O resultado é uma classe inteira de profissionais cobrando abaixo do que deveria.

Neste guia, vamos destrinchar a tabela passo a passo. Você vai entender a lógica por trás da fórmula, ver exemplos com números reais e sair daqui sabendo exatamente como aplicar o cálculo para qualquer tipo de projeto. Sem mistério.

O que é a tabela de honorários do CAU

A tabela de honorários é um documento de referência elaborado pelo IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil) e adotado pelo CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) como diretriz para a remuneração de serviços de arquitetura e urbanismo no Brasil.

A versão mais conhecida é baseada no documento do IAB que estabelece faixas percentuais sobre o custo estimado da obra. O CAU incorporou essa lógica em suas orientações e publicações, tornando-a a principal referência institucional para honorários no país.

Um ponto importante: para o mercado privado, a tabela não é obrigatória. Ela funciona como referência técnica — um piso profissional que indica o valor justo pelo trabalho. Já em licitações públicas e contratações por órgãos governamentais, os valores da tabela costumam ser usados como base para editais e contratos.

O objetivo é simples: garantir que exista um parâmetro técnico e transparente para a precificação, protegendo tanto o profissional quanto o cliente de valores arbitrários.

Como funciona o cálculo

A fórmula central da tabela é direta:

Honorário = CUB x Percentual x Área

Onde:

  • CUB é o Custo Unitário Básico da Construção Civil, em R$/m²
  • Percentual é a faixa definida pela tabela conforme o tipo e complexidade do projeto
  • Área é a área total do projeto em metros quadrados

O resultado é o valor total do honorário para o projeto completo, considerando todas as etapas — do estudo preliminar ao acompanhamento de obra.

Parece simples, e a mecânica realmente é. A dificuldade está em escolher corretamente cada variável. Vamos tratar de cada uma.

O CUB (Custo Unitário Básico)

O CUB é um indicador mensal que representa o custo por metro quadrado de construção civil. Ele é calculado e publicado pelos SINDUSCONs regionais (sindicatos da indústria da construção) de cada estado, seguindo a norma NBR 12.721 da ABNT.

Na prática, o CUB reflete o custo de materiais, mão de obra e despesas administrativas necessários para construir um metro quadrado em determinada região. Ele varia conforme o estado e o padrão construtivo adotado.

Padrões construtivos do CUB

O CUB é publicado para diferentes padrões de edificação. Os mais relevantes para projetos de arquitetura residencial são:

CódigoDescriçãoUso típico
R-1Residência unifamiliar, padrão baixoCasas populares
R-8Residência unifamiliar, padrão normalCasas de médio padrão
R-16Residência unifamiliar, padrão altoCasas de alto padrão
PP-4Prédio popular, 4 pavimentosHabitação popular
PISProjeto de interesse socialHIS/MCMV

Para projetos residenciais de médio e alto padrão — a realidade da maioria dos escritórios de arquitetura — os padrões R-8 e R-16 são os mais utilizados como referência.

Valores de referência por estado (CUB R-8, março 2026)

Os valores abaixo são aproximações baseadas na tendência histórica do indicador. Sempre consulte o SINDUSCON do seu estado para obter o valor atualizado do mês vigente.

EstadoCUB R-8 (R$/m²)SINDUSCON
São PauloR$ 2.280SINDUSCON-SP
Rio de JaneiroR$ 2.190SINDUSCON-RJ
Minas GeraisR$ 2.150SINDUSCON-MG
Rio Grande do SulR$ 2.210SINDUSCON-RS
ParanáR$ 2.170SINDUSCON-PR
BahiaR$ 2.050SINDUSCON-BA

Note que a variação entre estados fica tipicamente entre 5% e 15%. Isso reflete diferenças reais no custo de mão de obra e materiais em cada região. Para projetos de alto padrão, o CUB R-16 costuma ser 20% a 35% superior ao R-8.

Os percentuais por tipo de projeto

O segundo componente da fórmula é o percentual sobre o custo da obra. A tabela do IAB/CAU define faixas que variam conforme o tipo de projeto e sua complexidade.

Faixas percentuais de referência

Tipo de projetoPercentual mínimoPercentual máximo
Residencial unifamiliar7%12%
Residencial multifamiliar5%9%
Comercial e escritórios5%10%
Industrial e galpões3%7%
Interiores e reforma8%14%
Paisagismo6%12%
Urbanismo3%6%

O que define se você usa o mínimo ou o máximo

A posição dentro da faixa não é aleatória. Os fatores que justificam percentuais mais altos incluem:

Complexidade técnica. Um projeto com estrutura metálica, subsolo ou terreno em aclive exige mais horas de projeto e coordenação de disciplinas do que uma casa térrea em terreno plano.

Área construída menor. Projetos menores tendem a demandar percentuais mais altos. Uma casa de 80 m² exige praticamente as mesmas etapas de projeto que uma de 300 m², mas o custo total da obra é muito menor — logo, o percentual precisa compensar.

Nível de detalhamento. Projeto executivo completo com compatibilização de todas as disciplinas justifica percentuais no topo da faixa. Estudo preliminar sem executivo fica na parte inferior.

Especialização do escritório. Profissionais com reconhecimento de mercado, portfólio relevante e especialização em determinado nicho podem (e devem) posicionar seus honorários acima do mínimo.

A regra prática: quanto menor a área e maior a complexidade, mais alto deve ser o percentual aplicado.

Exemplo prático passo a passo

Vamos calcular o honorário para um projeto residencial concreto.

Dados do projeto

  • Tipo: Residência unifamiliar, padrão médio-alto
  • Área: 200 m²
  • Localização: São Paulo
  • Escopo: Projeto completo (estudo preliminar ao executivo) + acompanhamento básico de obra
  • Complexidade: Média (terreno plano, 2 pavimentos, sem estrutura especial)

Passo 1: Definir o CUB

Para São Paulo, o CUB R-8 de referência é aproximadamente R$ 2.280/m². Como o projeto é de padrão médio-alto, poderíamos considerar algo entre o R-8 e o R-16. Vamos usar R$ 2.280 como base conservadora.

Passo 2: Calcular o custo estimado da obra

Custo da obra = CUB x Área

R$ 2.280 x 200 m² = R$ 456.000

Esse é o custo estimado de construção, não o valor do terreno ou outros custos indiretos.

Passo 3: Definir o percentual

Para residencial unifamiliar, a faixa é de 7% a 12%. Considerando complexidade média com escopo completo, vamos trabalhar com duas referências:

  • Percentual conservador: 8%
  • Percentual adequado para escopo completo: 10%

Passo 4: Calcular o honorário

Com 8%: R$ 456.000 x 0,08 = R$ 36.480

Com 10%: R$ 456.000 x 0,10 = R$ 45.600

Resultado

O honorário para este projeto, segundo a tabela CAU/IAB, ficaria entre R$ 36.480 e R$ 45.600. Dividido pelas etapas do projeto (estudo preliminar, anteprojeto, projeto executivo, acompanhamento), isso representa uma remuneração justa pelo trabalho técnico envolvido.

Para efeito de comparação: se esse mesmo projeto fosse precificado por m² a R$ 200/m², o valor seria R$ 40.000 — bem no meio da faixa calculada pela tabela. Quando os métodos convergem, é um bom sinal de que o preço está calibrado.

Quando a tabela é obrigatória vs referência

Essa distinção gera muita confusão, então vale ser direto.

No mercado privado

A tabela não é obrigatória. Você pode cobrar acima ou abaixo dos valores de referência. Nenhum cliente privado é obrigado a contratar pelos percentuais da tabela, e nenhum arquiteto é punido por cobrar diferente.

No entanto, o CAU recomenda fortemente que os profissionais utilizem a tabela como piso de referência. Cobrar sistematicamente abaixo dos valores da tabela é, na visão do conselho, uma prática que desvaloriza a profissão. Em casos extremos, pode ser interpretado como concorrência desleal por outros profissionais.

Em licitações e contratos públicos

Aqui a situação muda. Órgãos públicos frequentemente utilizam a tabela do CAU/IAB como base para definir o valor de referência em editais. A Lei de Licitações (Lei 14.133/2021) estabelece que a administração pública deve usar parâmetros técnicos reconhecidos para estimar o custo de serviços de engenharia e arquitetura.

Na prática, muitos editais definem o preço máximo com base na fórmula CUB x percentual x área, usando os percentuais da tabela. Nesses casos, a tabela se torna o teto orçamentário da contratação.

A posição oficial do CAU

O CAU tem se posicionado cada vez mais firmemente a favor da valorização profissional. A resolução CAU/BR n. 91/2014 e atualizações posteriores tratam especificamente da remuneração mínima e das condições dignas de exercício profissional. A tabela de honorários é o instrumento técnico que sustenta essas orientações.

Como adaptar para projetos de interiores

A tabela do IAB/CAU foi originalmente pensada para projetos de arquitetura com construção nova. Quando aplicada a projetos de interiores, são necessários alguns ajustes.

Para designers de interiores, a precificação tem particularidades que abordamos em detalhes no artigo sobre métodos de precificação para projetos de interiores. O principal problema é que o CUB reflete o custo de construção de uma edificação completa — fundação, estrutura, cobertura, instalações. Em um projeto de interiores, boa parte desses itens não existe. Reformar um apartamento de 100 m² custa significativamente menos do que construir 100 m² do zero.

Ajustes recomendados

Reduzir o CUB de referência. Para interiores, é comum adotar entre 40% e 70% do CUB cheio, dependendo da extensão da reforma. Uma reforma que mexe em hidráulica e elétrica fica mais próxima de 70%. Um projeto decorativo sem obra fica mais próximo de 40%.

Usar o percentual mais alto da faixa. A tabela prevê 8% a 14% para interiores e reforma. Projetos de interiores costumam demandar um nível de detalhamento elevado (marcenaria, iluminação, especificação de acabamentos), o que justifica percentuais de 10% a 14%.

Exemplo rápido: Apartamento de 80 m² em São Paulo, reforma média.

  • CUB ajustado: R$ 2.280 x 60% = R$ 1.368/m²
  • Custo estimado: R$ 1.368 x 80 = R$ 109.440
  • Percentual (12%): R$ 109.440 x 0,12 = R$ 13.133

Esse valor é compatível com o que se pratica no mercado para projetos de interiores com escopo completo em capitais.

Relação com outros métodos de precificação

A tabela CAU/IAB é um dos vários métodos de precificação disponíveis. Entender como ela se compara aos demais ajuda a escolher a abordagem certa para cada situação.

Tabela CAU vs precificação por m²

A precificação por m² é mais simples e direta: você define um valor fixo por metro quadrado (ex.: R$ 180/m²) e multiplica pela área. Não depende de CUB nem de percentuais.

A vantagem é a facilidade de comunicação com o cliente. A desvantagem é que o valor por m² precisa ser calibrado empiricamente — e muitos arquitetos acabam usando números desatualizados ou que não refletem seu custo real.

A tabela CAU tem a vantagem de se atualizar automaticamente com o CUB mensal. Se o custo de construção sobe, seu honorário sobe junto. No método por m², você precisa reajustar manualmente sua tabela.

Quando usar o m²: Projetos residenciais e de interiores com escopo bem definido, especialmente quando o cliente já está acostumado com essa linguagem.

Tabela CAU vs VHP (valor hora)

O VHP (Valor Hora Projetista) calcula o honorário com base no tempo estimado de trabalho. Você define seu custo hora (incluindo overhead, impostos e margem), estima as horas do projeto e multiplica.

A grande vantagem do VHP é a precisão: ele reflete diretamente o esforço que você vai dedicar. A desvantagem é que exige um bom histórico de horas para estimar com confiança, e nem todo cliente aceita a lógica de "estou vendendo horas".

A tabela CAU, por outro lado, não se preocupa com quantas horas você vai gastar. Ela parte do pressuposto de que projetos de determinado tipo e tamanho demandam um nível de esforço proporcional ao custo da obra.

Quando usar o VHP: Projetos com escopo variável, consultorias, acompanhamento de obra cobrado separadamente, ou qualquer situação onde o tempo é o principal fator de custo.

Tabela CAU vs preço por etapa

Alguns escritórios precificam cada etapa separadamente: estudo preliminar (15-20% do total), anteprojeto (20-25%), projeto executivo (30-40%), acompanhamento de obra (15-20%).

Essa abordagem pode usar a tabela CAU como base para definir o valor total e depois distribuir entre as etapas. Na verdade, é o que o próprio IAB sugere: calcular o honorário global pela fórmula e depois fracionar conforme o escopo contratado.

Quando usar: Quando o cliente quer contratar etapas isoladas, ou quando você precisa de marcos de pagamento atrelados a entregas específicas.

Limitações da tabela

Por mais útil que seja como referência, a tabela do CAU/IAB tem limitações que você precisa conhecer.

Não diferencia localização dentro do estado. O CUB é estadual, mas projetar para um condomínio de luxo no litoral paulista é diferente de projetar para uma cidade do interior. O custo de vida e a disposição do cliente a pagar variam enormemente.

Não captura especialização. Um arquiteto especializado em projetos hospitalares ou em restauro de patrimônio histórico tem um diferencial técnico que a tabela ignora. Nesses casos, os percentuais da tabela devem ser apenas o ponto de partida.

Não considera o mercado local. Em cidades onde há muita concorrência, os valores praticados podem estar abaixo da tabela. Em mercados aquecidos ou nichos específicos, podem estar acima. A tabela é uma referência nacional genérica.

Desatualização dos padrões. A lógica da tabela tem décadas. O mercado de arquitetura mudou — projetos de interiores cresceram enormemente, o BIM alterou o fluxo de trabalho, e muitos escritórios oferecem serviços que não existiam quando a tabela foi concebida.

Nada disso invalida a tabela. Significa apenas que ela deve ser usada como ponto de partida informado, não como resposta definitiva. O profissional maduro conhece a tabela, aplica o cálculo e depois ajusta conforme sua realidade.

Conclusão

A tabela de honorários do CAU/IAB é a referência mais sólida que a profissão tem para responder "quanto cobrar". Dominar o cálculo — CUB vezes percentual vezes área — é obrigação de qualquer arquiteto que leva a sério a gestão do seu escritório.

O mais importante é não usar um único método isoladamente. A tabela CAU funciona melhor quando cruzada com outros métodos de precificação. Se o valor da tabela, o cálculo por m² e a estimativa por hora convergem, você tem uma base forte para negociar com confiança.

Ferramentas como o Braxio facilitam esse processo ao reunir os três métodos de precificação — por m², por hora e manual — em um único fluxo de proposta, permitindo que você compare abordagens e chegue ao valor justo sem depender de planilhas dispersas.

Independentemente da ferramenta que você use, o conselho é: conheça a tabela, faça o cálculo e use o resultado como argumento técnico na conversa com seu cliente. Preço justificado com método é muito mais difícil de ser questionado.

Perguntas frequentes

A tabela do CAU é obrigatória para arquitetos?

Não para o mercado privado. A tabela funciona como referência técnica, não como tabelamento de preços. Você pode cobrar valores diferentes, para mais ou para menos. Em licitações públicas, os órgãos costumam usá-la como base para definir o valor de referência dos editais.

Qual CUB devo usar no cálculo?

Depende do padrão construtivo do projeto. Para casas de médio padrão, use o CUB R-8. Para alto padrão, o CUB R-16. Para projetos de interiores, aplique um fator de redução (40% a 70%) sobre o CUB cheio. Sempre consulte o SINDUSCON do seu estado para obter o valor atualizado.

O honorário da tabela cobre todas as etapas do projeto?

Sim. O percentual da tabela CAU/IAB considera o projeto completo: estudo preliminar, anteprojeto, projeto executivo e acompanhamento de obra. Se o cliente contratar apenas algumas etapas, o valor deve ser proporcional. Uma distribuição comum é 20% para estudo preliminar, 25% para anteprojeto, 35% para executivo e 20% para acompanhamento.

Posso cobrar acima da tabela?

Absolutamente. A tabela define um piso de referência, não um teto. Profissionais com especialização, portfólio reconhecido ou atuação em nichos de alto valor podem e devem cobrar acima. O importante é ter uma justificativa técnica para o valor proposto.

Como uso a tabela para projetos muito pequenos (menos de 50 m²)?

Para áreas muito pequenas, o percentual da tabela pode resultar em valores baixos demais para compensar o esforço. Nesses casos, é recomendável estabelecer um honorário mínimo — independente da área — que cubra suas horas de trabalho. Muitos escritórios definem pisos entre R$ 8.000 e R$ 15.000 para qualquer projeto, usando a tabela apenas quando o resultado supera esse mínimo.

A tabela se aplica a reformas e interiores?

A tabela prevê a categoria "interiores e reforma" com percentuais de 8% a 14%. No entanto, como o CUB reflete o custo de construção completa, é necessário ajustar o valor de referência. A prática mais comum é aplicar entre 40% e 70% do CUB cheio como base de cálculo, dependendo da extensão da intervenção. Projetos puramente decorativos, sem obra civil, ficam na faixa mais baixa desse ajuste.

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